O pulgão no trigo é uma das pragas com maior histórico de danos à triticultura brasileira. Além do dano direto pela sucção contínua de seiva nos tecidos da planta, ele causa um dano indireto pela transmissão de doenças, como o Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada (VNAC).
Compreender quais espécies estão presentes, em que estádio fenológico a cultura se encontra e qual é a pressão real da praga são os pilares do controle de pulgão no trigo tecnicamente fundamentado.
Neste conteúdo, você encontra as principais espécies que atacam a cultura, o protocolo de monitoramento de pulgão no trigo recomendado por fase fenológica, os critérios de decisão para o controle químico e as boas práticas na escolha e aplicação do inseticida para pulgão no trigo. Continue a leitura!
Quais espécies de pulgão atacam o trigo e como identificar cada uma
O manejo correto começa pelo diagnóstico preciso. No Brasil, três espécies concentram a maior parte das ocorrências de pulgão no trigo, com comportamentos, estádios de risco e impactos distintos sobre a lavoura.
Sitobion avenae: o pulgão-da-espiga do trigo
O pulgão-da-espiga do trigo (Sitobion avenae) é a espécie de maior ocorrência no espigamento e a principal responsável pelo dano direto ao grão.
Coloniza preferencialmente folha bandeira, aristas e espiguetas, sugando a seiva e comprometendo o enchimento de grãos.
Apresenta coloração verde a marrom-avermelhada, com cornículos longos e escuros, característica que facilita a identificação em campo.
Rhopalosiphum padi: o pulgão vetor do VNAC
O pulgão-da-aveia (Rhopalosiphum padi) é o principal vetor do VNAC e representa risco crítico nas fases iniciais do ciclo, quando a planta ainda é altamente suscetível à infecção viral. A presença nas fases de plântula e afilhamento exige atenção especial no monitoramento.
Apresenta coloração verde-escura a preta, com manchas ferrugíneas ao redor dos cornículos.
O pulgão transmite vírus no trigo? Sim. O Rhopalosiphum padi é o principal vetor do Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada (VNAC), capaz de reduzir significativamente a produtividade mesmo em baixas populações. De acordo com a Embrapa Trigo, para algumas cultivares, este dano pode variar entre 60% e 80% cultivares suscetíveis e intolerantes para a VNAC.
Schizaphis graminum: o pulgão-verde-dos-cereais
O pulgão-verde-dos-cereais (Schizaphis graminum) é outra espécie de pulgão que ataca o trigo. Ele predomina na fase vegetativa e em condições de temperatura mais elevada.
Apresenta coloração verde-clara a amarelada, com linha dorsal mais escura. Predomina na fase vegetativa e em condições de temperatura mais elevada.

Monitoramento de pulgão no trigo: como fazer e com que frequência
O monitoramento de pulgão no trigo é essencial para definir o nível de dano econômico dessa praga na lavoura e construir um programa de manejo assertivo.
- Frequência recomendada: inspeções semanais a partir da emergência, com intensificação no espigamento, quando a pressão tende a ser mais expressiva e o impacto produtivo, maior.
- Método de amostragem: percurso em zigue-zague pela lavoura, cobrindo ao menos 20 pontos distribuídos entre bordadura e interior da área. Em cada ponto, avaliar ao menos cinco plantas ou espigas.
O que registrar:
- Percentual de plantas infestadas em relação ao total amostrado;
- Número médio de pulgões por espiga, considerando todas as espécies presentes;
- Presença de inimigos naturais: joaninhas, crisopídeos e vespas parasitoides.
Como monitorar pulgão na lavoura de trigo? O protocolo recomendado pela Embrapa Trigo prevê inspeções semanais em percurso de ziguezague, com amostragem de bordadura e interior. O critério de avaliação muda conforme o estádio: percentual de plantas infestadas na fase vegetativa e número de pulgões por espiga no espigamento. O registro da presença de inimigos naturais é parte integrante da amostragem.
Nível de dano econômico: quando o controle de pulgão no trigo com inseticidas é realmente necessário
Respeitar o Nível de Dano Econômico (NDE) do pulgão no trigo é fundamental tanto para a saúde financeira do produtor, quanto para a preservação dos inimigos naturais que atuam como reguladores biológicos da praga e das tecnologias utilizadas no manejo dessa praga.
Isso porque aplicações de inseticidas abaixo do NDE comprometem a população de inimigos naturais e intensificam a pressão seletiva sobre as populações de pulgão, favorecendo o desenvolvimento de resistência a inseticidas.
Os critérios de decisão adotados pela Embrapa Trigo são:
| Fase fenológica | Critério de controle |
| Vegetativa a emborrachamento | 10% das plantas infestadas |
| Espigamento | Mais de 10 pulgões por espiga |
| Maturação fisiológica | Não aplicar |
Posso aplicar inseticida para pulgão na fase de maturação do trigo? Não. Na maturação fisiológica, a planta já não converte fotoassimilados em grão e o pulgão no trigo nesse estádio não gera impacto produtivo mensurável. A aplicação representa custo sem retorno econômico, com risco de resíduo no grão e eliminação desnecessária de inimigos naturais ainda ativos na área.
Tratamento de sementes: primeira linha de defesa contra o pulgão no trigo
O tratamento de sementes é uma estratégia amplamente utilizada na triticultura como proteção sistêmica nas fases iniciais do ciclo, período de maior vulnerabilidade ao VNAC transmitido pelo Rhopalosiphum padi.
A proteção conferida por essa prática é mais eficaz entre a emergência e o início do afilhamento do trigo.
Controle químico: como posicionar inseticidas para controle de pulgão no trigo
Identificado o NDE, a decisão de quando aplicar inseticida no trigo precisa ser acompanhada da escolha correta do grupo químico e das condições ideais de aplicação.
Grupos inseticidas registrados para o controle de pulgão no trigo
- Organofosforados (Grupo IRAC 1B): ação sistêmica e de contato, com amplo espectro sobre a praga.
- Piretroides (Grupo IRAC 3A): ação rápida por contato, indicados em condições de alta pressão populacional.
- Neonicotinoides (Grupo IRAC 4A): ação sistêmica prolongada, especialmente eficaz contra populações internas aos tecidos da planta.
A rotação de grupos inseticidas, conforme orientação do IRAC Brasil, é fundamental para retardar o desenvolvimento de resistência. A alternância deve ocorrer entre safras e, quando necessário, entre aplicações sequenciais dentro da mesma safra.
Leia também: Defensivos agrícolas no manejo integrado: como escolher, rotacionar e aplicar com eficiência
Condições ideais para aplicação
- Horário: início da manhã ou final da tarde, com temperatura abaixo de 30°C e umidade relativa acima de 50%.
- Velocidade do vento: entre 3 e 10 km/h para boa deposição e baixa deriva.
- Cobertura: distribuição uniforme na parte aérea, com ênfase na espiga durante o espigamento.
Atenção aos polinizadores: evite aplicações durante a floração plena. Nesse estádio, o trigo libera pólen e a presença de insetos polinizadores é mais intensa. Aplicações no início da manhã, antes da abertura das anteras, reduzem significativamente o impacto sobre a fauna benéfica.
Qual inseticida usar para controlar pulgão no trigo? Não há um único produto universal: a escolha do inseticida para pulgão no trigo deve considerar o grupo químico utilizado na aplicação anterior, o estádio da cultura e as condições climáticas no momento da intervenção. A rotação de grupos é indispensável para a longevidade do controle. Consulte sempre um engenheiro agrônomo habilitado para a recomendação técnica correta.
Como potencializar o controle químico com desalojantes de pragas?
Para elevar ainda mais a eficiência do controle químico, o uso de um desalojante de pragas como o AGCN Desaloj® potencializa a ação dos inseticidas aplicados.
Em formulação pastilhada e de fácil aplicação, AGCN Desaloj® provoca a irritabilidade dos insetos, forçando sua exposição e contato com o ingrediente ativo dos inseticidas aplciados.
Na prática, a associação com um bom produto de choque ou residual pode elevar a eficiência do controle com inseticidas em até 20%.
Conheça mais sobre AGCN Desaloj® no vídeo a seguir:
Controle biológico: aliados que reduzem a pressão do pulgão no trigo
O controle biológico do pulgão no trigo é um dos pilares do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e representa um componente estratégico no manejo dessa praga. A conservação dos inimigos naturais é, em muitos casos, o fator que mantém as populações abaixo do NDE sem necessidade de intervenção química.
Principais inimigos naturais a preservar:
- Joaninhas: predadores generalistas com alta capacidade de consumo diário de pulgões por indivíduo.
- Crisopídeos: larvas predadoras com ação eficaz sobre diversas fases do pulgão.
- Vespas parasitoides: parasitam ninfas e adultos diretamente, reduzindo a capacidade reprodutiva da praga.
Fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, também atuam no controle do pulgão no trigo em condições favoráveis. A eficácia desses agentes é maior com umidade relativa acima de 80% e temperatura moderada, condições que favorecem a germinação dos esporos sobre a cutícula do inseto.
Do monitoramento à decisão certa
O manejo eficiente do pulgão no trigo não se resume à escolha do produto certo: ele começa no monitoramento sistemático, passa pelo respeito rigoroso ao nível de dano econômico e termina na aplicação realizada no momento e nas condições corretas.
O produtor que domina esse processo constrói um programa de proteção mais eficiente e sustentável.
Na AgriConnection, o produtor encontra um portfólio completo de inseticidas de alta performance, além de fungicidas premium e herbicidas, formulados para atender os principais desafios fitossanitários do trigo e de outras culturas ao longo de todo o ciclo produtivo.
Ao lado da linha Crop Protection, a linha Essentials oferece adjuvantes e biológicos que potencializam os resultados dos defensivos, e a linha Fertilizers complementa o programa com soluções de nutrição voltadas à construção de fertilidade e vigor de planta.
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