Entender como controlar percevejo na soja começa pelo conhecimento profundo desse inseto sugador da família Pentatomidae, que se alimenta diretamente de vagens e grãos em formação e é considerado a principal praga da cultura no Brasil. 

Representado por um complexo de quatro espécies — o percevejo-marrom, o percevejo-verde, o percevejo-verde-pequeno e o percevejo-barriga-verde — ele pode causar perdas de até 40% na produtividade quando não manejado no momento certo, segundo a Embrapa. 

Por isso, saber identificar corretamente a espécie presente na lavoura, monitorar de forma sistemática e intervir dentro da janela correta são os três pilares que definem o sucesso do controle de percevejos na soja.  

Este guia percorre cada fase fenológica da soja para mostrar o que observar, quando agir e quais estratégias combinar para proteger a produtividade da lavoura. Continue a leitura! 

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Por que o percevejo é a praga mais preocupante da soja? 

complexo de percevejos da soja reúne espécies com comportamentos distintos, mas com um ponto em comum: seu ataque é direcionado principalmente para as vagens e grãos da soja, comprometendo severamente a produtividade e qualidade dessa oleaginosa.  

Os danos diretos vêm da sucção de seiva nas vagens e nos grãos em desenvolvimento, provocando aborto de grãos, chochamento e redução do peso final.  

Os danos indiretos são igualmente preocupantes: o percevejo são vetores de doenças, e podem carregar patógenos que comprometem a qualidade, como também a germinação de grãos destinados à produção de sementes. 

Você sabia? 70% dos danos são causados pelas ninfas, não pelos adultos. Esperar a presença massiva de insetos adultos para acionar o controle é, na maioria dos casos, agir tarde demais. 

Como identificar o percevejo na lavoura (e distinguir as espécies)? 

Saber com qual espécie de percevejo se está lidando importa. Cada uma tem comportamento e resposta diferente ao manejo, e uma identificação equivocada pode comprometer toda a estratégia de controle. 

Percevejo-marrom (Euschistus heros) 

Apresenta coloração parda com pontuações escuras e uma mancha amarela em forma de meia-lua no escutelo. É a espécie mais abundante em regiões mais quentes, como no Cerrado e no Centro-Oeste. 

Apresenta diapausa no período frio, migrando para bordas e vegetação espontânea antes da safra, o que explica por que as infestações costumam começar pelas bordas da lavoura. 

Percevejo-marrom (Euschistus heros) 

Percevejo-verde (Nezara viridula) 

Apresenta coloração verde uniforme no adulto, com pontuações brancas em sua fase ninfal. Predomina em regiões de clima mais ameno e úmido, com maior ocorrência no Sul e em partes do Sudeste. 

Percevejo-verde (Nezara viridula) Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) 

Apresenta coloração verde com faixa avermelhada ou alaranjada no pronoto dos adultos. Menor que as demais espécies, porém com alto potencial de dano às sementes e principal responsável pela soja-louca. Sua ocorrência tem avançado em regiões tradicionalmente dominadas pelo percevejo-marrom. 

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) 

Percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) 

Apresenta coloração marrom no dorso, com o abdômen verde e extremidades escuras, característica que dá nome à espécie. Ataca preferencialmente o milho, mas tem ampliado sua presença em lavouras de soja, especialmente em sistemas de integração soja-milho safrinha. 

Percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) 

Você sabia? Os percevejos têm formato característico em escudo, antenas segmentadas e glândulas odoríferas que liberam odor forte quando perturbados, o que os diferencia das demais espécies de inseto. Observe o escudo dorsal e a coloração do pronoto para diferenciar as espécies com mais segurança. 

Adultos x ninfas: por que as ninfas definem o controle 

Além das diferenças entre as espécies de percevejos na soja, é importante destacar que a fase mais jovem desse inseto, as ninfas, geralmente apresentam coloração mais escura e ausência de asas desenvolvidas 

Como representam a maior parcela dos danos, o produtor deve estar atento à presença de posturas (massas de ovos nas folhas) e ninfas de instares iniciais, que sinalizam a presença da infestação da lavoura. 

Detectar as posturas é o alerta mais precoce disponível no campo e permite planejar a resposta com mais tempo. 

Ovos de percevejo em vagem de soja.

Como fazer o monitoramento dos percevejos na soja com pano de batida 

A identificação e a contagem corretas só são possíveis com um método de amostragem padronizado. A técnica do pano de batida é o método recomendado pela Embrapa para monitoramento do percevejo na soja e funciona da seguinte forma: 

  1. Estender o pano de 1,40 m × 1,00 m entre duas fileiras de plantas; 
  2. Sacudir as plantas vigorosamente sobre o pano para que os insetos caiam;
  3. Contar o número de percevejos adultos e ninfas do 3º ao 5º instar; 
  4. Registrar os pontos amostrados, priorizando bordas e interior da lavoura; 
  5. Repetir a amostragem semanalmente a partir de R1. 

Os níveis de controle estabelecidos pela Embrapa são: 

  • 2 percevejos por pano de batida para lavouras destinadas à produção de grãos; 
  • 1 percevejo por pano de batida para lavouras de sementes, em razão da exigência superior de qualidade. 

Atingido o nível de controle em qualquer ponto da amostragem, a intervenção deve ser avaliada com base na fase fenológica da cultura e na distribuição espacial da infestação na área. 

Dois técnicos da Embrapa avaliando um pano de batida usado em uma lavoura de soja, uma das principais ferramentas para o monitoramento de percevejos na soja.
Monitoramento de percevejos na soja é feito com o pano-de-batida. Fonte: Embrapa

Manejo por fase da lavoura: quando e como agir? 

A lógica do MIP é clara: o momento da intervenção determina o resultado. Por isso, o manejo do percevejo é inseparável do conhecimento fenológico da cultura. 

Período vegetativo (até R1) 

Embora o período vegetativo seja considerado de menor risco econômico, a presença do percevejo nesse momento não é inofensiva. Em populações elevadas, os insetos podem deformar plântulas, reduzir o vigor das plantas e a formação do estande inicial, especialmente pela sucção nos pecíolos e hastes mais tenros.  

Por isso o monitoramento já deve estar ativo: é no final do período vegetativo que as primeiras colônias se instalam nas bordas da lavoura, sinalizando o movimento que se intensificará nas fases reprodutivas seguintes.  

O percevejo pode causar dano antes do florescimento? Sim. Em populações elevadas no período vegetativo, a sucção nos pecíolos e hastes de plântulas provoca deformações e reduz o vigor das plantas. O monitoramento desde cedo é a prática que antecipa a tomada de decisão nas fases críticas. 

R2 a R3 (florescimento pleno e início da formação de vagens) 

Com o início do florescimento da soja, a dinâmica muda. As populações instaladas nas bordas durante o final do período vegetativo começam a avançar para o interior da lavoura, e as primeiras posturas e ninfas de instares iniciais marcam o início da colonização efetiva.  

O monitoramento deve ser intensificado, com atenção redobrada às bordas. Quando a infestação ainda está concentrada nessa faixa, o controle localizado pode ser uma estratégia eficiente. 

R3 a R5 (enchimento de vagens) 

É a janela crítica de manejo de percevejos na soja. Com a formação das vagens, o percevejo encontra alimento em abundância e a pressão populacional cresce de forma acelerada. Atingido o nível de controle, a intervenção química torna-se necessária.  

R5.1 a R5.3 (grãos em granação intensa) 

Fase mais sensível da cultura. Danos nesse período provocam aborto de grãos, redução do peso de mil grãos e queda na qualidade fisiológica das sementes. O controle deve ser preciso, com boa cobertura do dossel e foco no terço médio das plantas, local que concentra um grande número de vagens. 

R6 a R7 (maturação) 

Com o amadurecimento dos grãos, a sucção dos percevejos torna-se menos eficiente e a pressão tende a diminuir gradualmente. O monitoramento continua indicado, mas o limiar para intervenção pode ser ajustado conforme a espécie predominante e o destino da produção.  

Lavouras de sementes exigem atenção mais prolongada, pois a qualidade fisiológica dos grãos ainda pode ser afetada por danos tardios e pela transmissão de patógenos nas últimas semanas antes da colheita. 

Entenda mais sobre: Manejo integrado de pragas no milho: programa completo e eficiente 

Controle cultural: boas práticas que reduzem a pressão do percevejo 

controle cultural não substitui o monitoramento nem o controle químico ou biológico, mas atua principalmente reduzindo a pressão populacional antes mesmo que ela se estabeleça na lavoura.  

Quando bem executado, ele diminui a frequência e o volume de intervenções necessárias ao longo da safra. 

Dentre as principais práticas de controle cultural, podemos destacar: 

  • Rotação de culturas, com espécies não hospedeiras; 
  • Eliminação de plantas daninhas hospedeiras e tigueras, principalmente durante o período de entressafra; 
  • Cumprimento do vazio sanitário estabelecido pelo MAPA. 

Controle biológico: aliados naturais no manejo do percevejo 

Além do controle cultural, o controle biológico é outro dos pilares do Manejo Integrado de Pragas (MIP) na soja e apresenta resultados expressivos quando utilizado de forma planejada, especialmente como estratégia complementar às aplicações químicas. 

O controle biológico de percevejos é centrado principalmente no uso de: 

  • parasitoides de ovos, como as espéciesTrissolcus basalis e Telenomus podisi; 
  • parasitoides de adultos, como as espécies Hexacladia smithii e Trichopoda nitens;
  • fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.

ConfiraComo usar os dados na agricultura de precisão 

Controle químico: escolha dos inseticidas e rotação de grupos 

Quando o nível de controle é atingido e a intervenção química com inseticidas se torna necessária. 

A decisão deve considerar modo de ação, histórico de uso na área e resistência documentada para aquela população de percevejo identificada. 

Grupos químicos e rotação 

Os principais grupos químicos utilizados no controle do percevejo na soja são neonicotinoides combinados com piretroides, organofosforados e diamidas, que podem compor a estratégia dependendo do diagnóstico de infestação na área. 

Além disso, o IRAC-BR recomenda a rotação entre grupos com modos de ação distintos a cada aplicação, evitando o uso sequencial do mesmo ingrediente ativo para preservar as tecnologias e a sustentabilidade do controle. 

Você sabia? Não existe um único “melhor inseticida” para percevejo na soja. A escolha deve considerar a espécie predominante, o histórico de uso na área, o estágio fenológico da cultura e a necessidade de rotação de grupos químicos. A recomendação de um engenheiro-agrônomo é fundamental para definir o produto certo para cada situação. 

Aplicação eficiente 

Além do produto correto, a forma de aplicação determina o resultado. A cobertura adequada do dossel exige foco no terço médio e inferior das plantas, onde as vagens e as ninfas dos percevejos estão concentradas. 

Para isso, regular o equipamento de aplicação, escolher bicos de pulverização adequados e pulverizar os produtos nos horários mais frescos do dia são práticas que fazem toda a diferença para uma aplicação eficiente. 

Você sabia? O intervalo entre aplicações deve ser definido com base no monitoramento contínuo e no período residual do produto utilizado, geralmente entre 10 e 15 dias. Reaplicações sem nova avaliação do campo aumentam o custo e aceleram a pressão de seleção para resistência. 

Potencializando o controle químico com AGCN Desaloj® 

Para elevar a eficiência do controle químico e facilitar a exposição dos percevejos da soja, a  AgriConnection desenvolveu Desaloj®, um potente desalojante de pragas que é destaque da sua linha Crop Protection. 

Com potencial para aumentar a eficácia do uso de inseticidas em até 20%, o produto foi pensado para atuar contra as principias pragas da soja e de outras culturas, incluindo os percevejos, mosca-branca, tripes e Spodopteras. 

Tudo isso em uma formulação fácil de aplicar, em forma de pastilhas efervescentes, que proporciona um manuseio seguro para o produtor. 

Conte com as soluções da AgriConnection para um manejo eficiente de percevejos na soja 

Dessa forma, podemos concluir que o manejo eficiente do percevejo na soja é, antes de tudo, um exercício de disciplina.  

A combinação de monitoramento sistemático, respeito aos níveis de controle e o uso planejado do controle cultural, biológico e químico e outras estratégias do MIP é o que permite ao produtor alcançar resultado duradouros que protegem a produtividade e qualidade da soja. 

Entre em contato com o representante AgriConnection da sua região e descubra melhores soluções para proteger a sua lavoura dos percevejos e de outras pragas da soja! 

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