A cigarrinha-do-milho é responsável por R$ 33,6 bilhões de prejuízo por ano no Brasil, é o que aponta o estudo mais recente da Embrapa, CNA/Senar e Epagri na revista Crop Protection.
Mas o impacto vai além das cifras: o inseto é um vetor ativo de doenças incuráveis que comprometem a lavoura antes mesmo do produtor perceber os primeiros sintomas.
Neste artigo, você vai entender o que é a cigarrinha-do-milho, quais danos ela causa na cultura do milho, quais são os sinais de alerta na lavoura, e quais estratégias de manejo são recomendadas para reduzir as perdas na sua produção. Continue a leitura!
O que é a cigarrinha-do-milho e como ela causa dano?
A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto sugador da família Cicadellidae. Mede entre 3 e 4 mm na fase adulta, apresenta coloração amarelada com manchas escuras e vive em colônias no cartucho das plantas jovens.
O dano direto ocorre pela sucção da seiva nas folhas e no cartucho. Mas é o dano indireto que determina as maiores perdas: o inseto transmite três doenças que não têm tratamento curativo.
- Enfezamento pálido (Spiroplasma kunkelii): causa estrias cloróticas nas folhas, nanismo e proliferação de espigas.
- Enfezamento vermelho (Candidatus Phytoplasma asteris): provoca amarelamento e avermelhamento das folhas a partir das bordas, além de perfilhamento excessivo.
- Risca do milho: causada por vírus também transmitido pelo mesmo vetor.
O ciclo biológico do Dalbulus maidis é acelerado: completo em 24 a 45 dias com temperaturas entre 26 e 32°C, e cada fêmea deposita mais de 600 ovos ao longo da vida. Essa capacidade reprodutiva explica por que as populações crescem rapidamente em condições favoráveis.
O ponto mais crítico: não há tratamento curativo para o enfezamento do milho. Uma vez que a planta é infectada, o único caminho é o controle do vetor para evitar a disseminação.
O milho pode se recuperar do enfezamento? Não. Os enfezamentos causados pelo Dalbulus maidis são doenças sem cura conhecida. O dano é irreversível a partir do momento da infecção. Por essa razão, toda a estratégia de manejo deve ser orientada para a prevenção.
Qual o impacto econômico real da cigarrinha no Brasil?
Os dados do estudo publicado na Crop Protection em abril de 2026 pelo consórcio Embrapa/CNA/Epagri colocam em perspectiva a gravidade do problema:
- Perda média de 22,7% na produção entre 2020 e 2024, equivalente a 31,8 milhões de toneladas por ano.
- Prejuízo acumulado no período: US$ 25,8 bilhões (mais de R$ 134 bilhões).
- Custo com inseticidas cresceu 19% no mesmo intervalo, superando R$ 46 por hectare.
- Em 80% das localidades avaliadas, a cigarrinha-do-milho foi apontada como fator central da queda de produtividade.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho. O impacto da praga, portanto, é sistêmico e afeta diretamente a competitividade da produção nacional.
Como identificar a cigarrinha e os sintomas de enfezamento?
Reconhecer o inseto e os sintomas precocemente é fundamental para acionar o manejo no momento certo.
Identificação da cigarrinha
- Adulto com 3 a 4 mm, corpo alongado, coloração amarelada com manchas escuras;
- Vive em colônias no cartucho do milho e na face abaxial das folhas;
- Salta rapidamente ao contato, o que dificulta a visualização durante o monitoramento.
Sintomas de enfezamento pálido
- Estrias cloróticas paralelas às nervuras das folhas;
- Nanismo acentuado e proliferação de espigas sem grãos;
- Plantas com aspecto “espigado” e redução evidente de estatura.
Sintomas de enfezamento vermelho
- Amarelamento e avermelhamento das bordas das folhas, progredindo para o centro;
- Perfilhamento excessivo e enrolamento das folhas apicais.
O momento crítico de infecção são os estágios iniciais, especialmente até V8. Quanto mais cedo a planta é infectada, mais severa é a perda de produtividade. Por isso, o monitoramento precisa começar logo após a emergência.
Como evitar enfezamento no milho? A prevenção do enfezamento passa pelo controle precoce da cigarrinha-do-milho, eliminação do milho tiguera, sincronização do plantio e uso de cultivares com tolerância. Não há tratamento curativo disponível: uma vez instalada a doença, a planta não se recupera.
Por que a safrinha é mais vulnerável?
A cigarrinha-do-milho na safrinha representa um cenário de risco elevado por razões estruturais:
- Ao final da colheita da primeira safra, grandes populações do inseto migram para as lavouras de segunda safra, que estão em estágios iniciais de desenvolvimento.
- O efeito de concentração faz com que plantas jovens recebam alta carga de indivíduos infectivos em um curto intervalo de tempo.
- No Centro-Oeste, o cultivo quase contínuo de milho criou um ambiente favorável à manutenção da praga ao longo do ano, sem períodos de vazio sanitário efetivos.
Essa combinação explica por que os índices de enfezamento do milho são sistematicamente mais altos na safrinha e por que o investimento em manejo preventivo nesse período tem retorno direto na produtividade.
Estratégias de manejo recomendadas para o manejo da cigarrinha
A Embrapa recomenda um conjunto integrado de práticas para o controle da cigarrinha-do-milho. Nenhuma medida isolada é suficiente: a eficiência vem da combinação de estratégias.
1. Eliminação do milho tiguera
A eliminação do milho tiguera cigarrinha é uma relação bem documentada: as plantas voluntárias que brotam na entressafra funcionam como “reservatório” do inseto e dos molicutes entre safras. A eliminação dessas plantas é considerada essencial para reduzir a pressão da praga.
2. Sincronização do plantio
Janelas de semeadura coordenadas regionalmente reduzem a janela de exposição das plantas jovens à cigarrinha-do-milho na safrinha. Quando os vizinhos plantam em datas muito dispersas, as lavouras mais tardias recebem a carga de insetos que migram das mais precoces em colheita.
3. Cultivares resistentes ou tolerantes
O uso de híbridos com resistência aos enfezamentos mantém a produtividade mesmo sob pressão moderada da praga. Consulte o zoneamento e as indicações regionais para sua propriedade.
4. Controle do vetor nos estágios iniciais
O controle da cigarrinha-do-milho com inseticida é eficaz quando aplicado assim que identificado o nível de controle, especialmente até V8. Nessa fase, reduzir a população do inseto evita as infecções primárias, que são as mais danosas.
Para potencializar o efeito dos inseticidas, o produtor pode fazer o uso de produtos com efeito desalojante, como o AGCN Desaloj® da AgriConnection.
Com potencial para aumentar a eficácia do uso de inseticidas em até 20%, o produto foi pensado para atuar contra as principias pragas do milho e de outras culturas.
Tudo isso em uma formulação fácil de aplicar, em forma de pastilhas efervescentes, que proporciona um manuseio seguro para o produtor.
Qual o inseticida mais indicado para cigarrinha? Os grupos com maior eficiência sobre insetos sugadores incluem neonicotinoides, organofosforados e piretroides, usados de forma isolada ou em rotação para evitar resistência. A escolha deve considerar o perfil de resistência local, o estágio da cultura e a janela de reentrada. Consulte um engenheiro agrônomo para a indicação técnica adequada à sua região.
5. Monitoramento coordenado entre produtores
O efeito de concentração de cigarrinhas infectivas entre lavouras vizinhas é bem documentado. O monitoramento colaborativo entre produtores de uma mesma região permite antecipar picos populacionais e calibrar as intervenções com mais precisão.
Cigarrinha-do-milho: quem age cedo, protege a produtividade
Os dados divulgados pela Embrapa confirmam o que muitos produtores já percebem na prática: a pressão da praga é crescente, a janela de ação é curta e as perdas são significativas quando o manejo é tardio ou insuficiente.
Monitorar a lavoura desde a emergência, eliminar o milho tiguera, sincronizar o plantio com os vizinhos e fazer controle o controle químico associado ao uso de desalojantes são as práticas com maior impacto comprovado na redução das perdas.
Para proteger sua lavoura com as soluções certas para cada fase do milho, conheça o portfólio completo de defensivos da AgriConnection através dos nossos representantes regionais!
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