O ano de 2026 começa com um cenário climático desafiador para o produtor rural, marcado por um período de transição complexa. O fenômeno La Niña perde força, dando espaço para um período de transição climática.
Essas mudanças recentes no regime de chuvas e temperatura afetam diretamente o calendário agrícola. O que se vê no campo é um estreitamento das janelas de plantio e uma instabilidade no regime de chuvas que exige atenção redobrada.
Neste artigo, vamos analisar o que os dados mais recentes dizem sobre o clima e a safra. O objetivo é entender os impactos reais e traçar estratégias para mitigar impactos do clima no campo para 2026.
Para complementar esta leitura, vale conferir também nossa análise sobre as tendências climáticas e de produtividade para a safra 2025/26.
Impactos das mudanças climáticas na agricultura em 2025 e o que esperar em 2026
O final de 2025 mostrou um Brasil dividido pelo clima. Os meses de setembro e outubro, decisivos para o plantio da safra de verão, teve comportamentos opostos em diferentes regiões.
De um lado, o resfriamento das águas do Pacífico Equatorial sinalizou a chegada do fenômeno La Niña, que agora já perdes forças. Do outro, o aquecimento do Atlântico Norte mudou a dinâmica das chuvas no Nordeste.
Segundo o Boletim Agroclimatológico do INMET, isso gerou uma distribuição de chuvas desigual. Enquanto uns lidavam com excesso de água, outros enfrentavam a seca.
Onde choveu e onde faltou água
Na Região Norte, o volume de chuvas foi alto. Estados como Amazonas e Tocantins registraram acumulados acima de 150 mm. Para as lavouras nessas áreas, o cenário foi positivo, sendo registrada uma umidade do solo acima de 60%.
No Centro-Oeste, a chuva voltou a cair com regularidade em novembro. Volumes acima de 120 mm em Mato Grosso e Goiás ajudaram a recuperar a umidade do solo.
Já no Sul, o problema foi o excesso. O Paraná e Santa Catarina tiveram acumulados superiores a 150 mm. O solo saturado dificultou a colheita do trigo e o manejo inicial das culturas de verão.
A situação mais crítica ocorreu no Nordeste. O norte do Maranhão e Piauí, além do Ceará, receberam menos de 30 mm de chuva. Nessas áreas, o armazenamento de água no solo ficou abaixo de 5%. Isso inviabilizou o plantio de sequeiro e prejudicou pastagens.
Leia também: Como melhorar a qualidade do solo no agro?
Expectativas para 2026 e os efeitos da mudança climática na produção agrícola
O clima dita o ritmo da lavoura. Quando ele falha, cada cultura responde de uma forma. Os dados do 3º Levantamento da Safra 2025/26 da Conab mostram os reflexos disso.
Para a safra 2025/26, a Conab projeta uma produção de 354,4 milhões de toneladas de grãos. É um crescimento de 0,6% sobre o ciclo anterior.
A área cultivada também cresceu, atingindo 84,2 milhões de hectares. Mas esses números escondem inúmeros desafios.
Soja
Segundo a Conab, a soja deve ocupar 48,9 milhões de hectares. A produção estimada é recorde, de 177,1 milhões de toneladas. Mas o caminho até a colheita tem obstáculos.
A falta de chuva regular no início do plantio atrasou os trabalhos no Centro-Oeste e Matopiba. Em Goiás e Minas Gerais, veranicos forçaram o replantio em algumas áreas.
Isso aumenta custos e empurra o ciclo da cultura. No Sul, o excesso de chuva e temperaturas amenas deixaram o desenvolvimento das plantas mais lento.
Milho
A mudança climática causa cenários distintos na cultura do milho. A produção total deve cair 1,5%, ficando em 138,9 milhões de toneladas.
Na primeira safra, o excesso de chuva no Sul atrapalhou o plantio. Tempestades e granizo causaram danos físicos às plantas jovens no Paraná.
Para a segunda safra (safrinha), o risco é o calendário. O atraso no plantio da soja empurra a semeadura do milho para fora da janela ideal.
Leia mais: Planejamento de safrinha: quais aspectos considerar para bons resultados
Algodão
A estimativa para a pluma indica uma produção de 3,96 milhões de toneladas, uma leve retração de 2,9% em relação ao ciclo anterior. A área plantada, contudo, manteve-se estável, alcançando 2,1 milhões de hectares.
O cenário de mercado menos atrativo desestimulou grandes expansões. No campo, o desafio é o clima irregular: a falta de chuvas no início da janela ideal em regiões do Mato Grosso e Bahia acende o alerta para o desenvolvimento vegetativo inicial.
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Trigo
A safra de trigo encerra 2025 com uma produção estimada em 7,96 milhões de toneladas, um leve ajuste positivo de 0,9%. A área cultivada somou 2,44 milhões de hectares, com foco concentrado no Sul.
No Rio Grande do Sul, a colheita enfrentou sérios problemas com a mudança climática. O excesso de umidade na maturação final favoreceu doenças como giberela e brusone, além de causar germinação na espiga, comprometendo a qualidade industrial do grão em diversas lavouras.
Arroz e feijão
O arroz teve redução de área de 8,1%. No Rio Grande do Sul, as chuvas intensas dificultaram o preparo do solo.
Já o feijão de primeira safra sofreu com a redução de 12,4% na área. A irregularidade das chuvas no Nordeste e Sudeste prejudicou o estande inicial das lavouras.
Cana-de-açúcar
A produção estimada é de 666,4 milhões de toneladas, marcando uma oferta inferior ao recorde anterior. A mudança climática foi a grande vilã: a combinação de seca severa, altas temperaturas e queimadas afetou drasticamente a fisiologia das plantas.
Essa “tempestade perfeita” reduziu o acúmulo de biomassa e a produtividade nos canaviais do Centro-Sul. Apesar disso, o mix de produção favoreceu o açúcar, que deve alcançar 45 milhões de toneladas, impulsionado pela valorização do produto.
Café
O Brasil deve colher 56,5 milhões de sacas, um crescimento de 4,3% no total nacional. O cenário, porém, é desigual entre as variedades arábica e conilon.


O arábica sofreu com a bienalidade negativa e a seca intensa nos meses pré-floração, especialmente em Minas Gerais. Já o Conilon vive um momento oposto: impulsionado por boas chuvas no norte do Espírito Santo e pacotes tecnológicos, registrou um salto expressivo de mais de 40% na produtividade média.
Consequências econômicas e sociais das mudanças climáticas na agricultura
As mudanças no clima mexem com o bolso do produtor e com a dinâmica social do campo.
Margens apertadas
O replantio da soja e manejos adicionais em outras culturas, necessário em várias regiões, encarece a produção. Sementes, diesel e maquinário precisam ser usados em dobro. Isso corrói a margem de lucro e afeta significativamente a rentabilidade final.
Crédito e juros
Com riscos climáticos maiores, o acesso ao crédito fica mais rigoroso. Bancos exigem análises detalhadas de risco.
Os juros elevados também pressionam o fluxo de caixa. Quem não comprovar um planejamento robusto terá mais dificuldade em captar recursos.
Impacto social
Sem acesso facilitado ao crédito rural para o investimento nas propriedades, os pequenos produtores ficam mais vulneráveis diante do cenário de mudanças climáticas.
Estudos indicam que a instabilidade climática já é um dos motores da migração para as cidades.
Expectativas para o clima em 2026
O início de 2026 deve seguir sob influência do La Niña. A probabilidade é de 53% para que o fenômeno persista no primeiro trimestre.
Previsão para o primeiro trimestre de 2026
O INMET projeta chuvas acima da média no norte da Região Norte. Isso é bom para as lavouras, mas ruim para a logística de estradas de terra.
No Nordeste, a seca deve continuar no interior. As temperaturas tendem a ficar acima da média, aumentando a evapotranspiração nas lavouras.
No Centro-Oeste e Sudeste, a chuva deve ser irregular. Há previsão de volumes adequados em pontos de Mato Grosso do Sul e São Paulo, mas restrições em estados como Minas Gerais.

Ameaças previstas
Até o momento, a maior preocupação para 2026 é a safrinha de milho. O corte antecipado das chuvas, típico do La Niña, pode pegar a cultura em fase de enchimento de grãos.
O estresse térmico também preocupa. Temperaturas altas no Centro-Oeste podem causar abortamento de vagens na soja.
Além disso, a logística pode sofrer. Chuvas concentradas têm potencial para deteriorar estradas no pico do escoamento da safra.
Estratégias de adaptação às mudanças climáticas
Não dá para controlar o clima, mas é possível se preparar para ele. A tecnologia e o manejo são as melhores defesas do agricultor.
É neste cenário que o novo jeito de fazer negócios no agro da AgriConnection está fazendo a diferença, conectando soluções ágeis e modernas ao campo.
Fortalecimento da planta
Em um cenário climático instável, um sistema radicular e vegetativo bem desenvolvido é essencial para lidar com as condições de estresse encontradas no campo.
Por isso, oferecer uma nutrição balanceada e outros insumos que contribuem para o melhor desempenho da cultura no campo é essencial. Na AgriConnection conectamos o produtor diretamente a grandes fornecedores globais, garantindo o insumo certo para a nutrição da lavoura com a nossa linha AgriConnection Fertilizers.
Somado a ela, a linha AgriConnection Essentials complementa o manejo, oferecendo um portfólio de soluções de alta tecnologia para sanidade das plantas e tratamento de sementes.
Agilidade na janela de aplicação
Com o clima instável, as janelas de plantio e pulverização se estreitam. Um atraso na entrega do insumo pode significar a perda do timing ideal.
A burocracia tradicional não cabe aqui. A AgriConnection opera com uma logística enxuta e descentralizada. Nossa estrutura permite que os insumos estejam na fazenda na hora certa, permitindo que você aproveite cada oportunidade de manejo.
Segurança financeira para imprevistos
Riscos climáticos na lavoura pressionam o caixa do produtor e ficar descapitalizado no meio da safra é um risco que não se pode correr.
Para isso, a AgriConnection Finance oferece prazos alinhados ao ciclo da safra dos nossos clientes.
Nossas soluções de crédito e fundos dedicados (FIDCs) dão fôlego financeiro. Assim, o produtor investe em tecnologia de proteção sem comprometer a saúde financeira da operação.
Inteligência de decisão: Radar AgriClima
Para navegar nesse cenário, informação é vital. Para ter acesso às melhores previsões climáticas para o agronegócio, a AgriConnection desenvolveu o Radar AgriClima.
Essa iniciativa traz boletins detalhados sobre chuvas e condições climáticas. O foco é monitorar as principais regiões agrícolas do país.
Com o Radar AgriClima, o produtor tem dados precisos para decidir o melhor momento de aplicar insumos e manejar a sua lavoura.
O futuro da agricultura sob o novo clima
A safra 2025/2026 é um teste de eficiência. O novo cenário climático exige que o produtor seja rápido na interpretação de dados e na tomada de decisão.
A produtividade não depende mais apenas da chuva cair na hora certa. Ela depende da capacidade de adaptar o manejo às condições do momento.
A tecnologia e o acesso eficiente ao mercado são os novos pilares da rentabilidade. Quem conta com um parceiro que une inteligência de mercado, agilidade logística e um portfólio completo de insumos consegue blindar muito melhor o seu investimento frente ao novo cenário climático.
O Radar AgriClima é o seu ponto de partida nessa jornada. Acompanhe nossos boletins nas nossas redes sociais, antecipe-se aos desafios e conte com a AgriConnection para transformar informação em produtividade no campo!
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